A Menina de Ghent

O céu se acinzenta de repente

Interrompendo a luz solar

Nuvens flutuam lentamente

Tentando se alcançar

 

Forma-se uma colcha de retalhos

Tecida pelo céu

E nem os mais altos galhos

Ultrapassam esse negro véu

 

A torre da catedral se espreita

Tentando tocar o infinito

A menina no chão se deita

Esperando seu espetáculo favorite

 

Solene, a cidade se silencia

Só o som do vento a uivar

Chove chuva, ele chia

Algo está prestes a começar

 

A primeira gota é formada

E cai sobre a ponta do nariz

Uma a uma, cada gota é lançada

Riscando o céu como giz

 

Uma peneirada de água

De onde será que ela vem?

Será Zeus afogando a mágoa

Ou a resposta só a ciência tem?

 

Como tinta que pinga sobre a cidade

Colorindo e enchendo de luz

Pintando a felicidade

Pingos amarelos sobre o capuz

 

Sem receio de se molhar

Adeus escrúpulos, adeus superstição

Sem medo de amar

Deixe aberto o coração

 

Dançando na chuva

A alegria volta a reinar

O tempo serviu como luva

Agora não é preciso chorar

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